quarta-feira, 30 de março de 2011

Livro: A Vigésima Quinta Hora

A história, como o drama e como o romance,
é filha da mitologia. Ê uma forma particular de
compreensão e de expressão, onde — como nos 
contos de fadas de que as crianças tanto gostam, e nos
sonhos próprios de adultos "sofisticados" — não foi
traçada a linha de demarcação entre o real e o 
imaginário. Disse-se, por exemplo, da Ilíada, que quem
a lê como narrativa histórica lá encontra a ficção, e
que, pelo contrário, quem a lê como lenda lá 
depara com a história.
A esse respeito, todos os livros de história se
assemelham à Ilíada, pois não podem eliminar 
completamente a ficção. O simples fato de escolher, de
arranjar e representar os fatos constitui uma técnica
que pertence ao domínio da ficção...

ARNOLD J. TOYNBEE
A study of history



Um romeno e sua mulher são apanhados numa agressão nazista. O chefe do departamento policial, que deseja a mulher, envia o marido para um campo de concentração sob a alegação de que é judeu. Ali começa uma tragicômica saga. A partir de determinado momento do livro, numa demonstração das loucuras e incoerências da era nazista, o homem acaba sendo considerado um exemplar odelo de ariano (medem seus ossos, nariz, rosto, etc.) e ele acaba por passar toda a guerra sem haver entendido os motivos de tudo aquilo estar lhe acontecendo, nem as razões do conflito mundial.  


trecho [pág. 50] 
 
A Sociedade Técnica 
que toma o lugar da ocidental e que vai conquis-
tar toda a superfície da Terra perecerá também. "O in-
signe Albert Einstein afirma que bastaria uma solução de
continuidade de duas gerações apenas, na linhagem dos
cérebros de primeira ordem especialmente dotados para
a ciência física, para que se desmoronassem todas as cons-
truções fundadas nessa ciência1." Esse desabar da Socie-
dade Técnica será seguido pelo renascimento dos valores
humanos e espirituais. A grande luz virá sem dúvida do
Oriente. Da Ásia. Mas não da Rússia. Os russos proster-
nam-se diante da luz elétrica do Ocidente e não lhe sobre-
viverão. O homem do Oriente conquistará a Sociedade
Técnica e utilizará a luz elétrica para iluminar as ruas e
as casas. Mas nunca se tornará seu escravo nem lhe er-
guerá altares, como o faz hoje em sua barbaria a Socie-
dade Técnica Ocidental. Não iluminará à luz do neon as
vias do espírito e as vias do coração. O homem do Orien-
te tornar-se-á senhor das máquinas e da Sociedade Téc-
nica pelo espírito, como um chefe de orquestra, graças ao
gênio da harmonia musical. Mas não nos será dado a nós
conhecer essa época. Vivemos um tempo em que o ho-
mem se prosterna diante do sol elétrico como um bárbaro.
— Morreremos então agrilhoados? — disse o dele-
gado.
— Pessoalmente, pereceremos nos grilhões dos es-
cravos técnicos. O meu romance será o livro desse epílogo.
— Que título tem?
— A vigésima quinta hora — disse Traian. — O
momento em que toda tentativa de socorrer os náufragos
é vã. Mesmo o advento de um Messias não resolveria na-
da. Não é a última hora: é uma hora depois da última
hora. O preciso tempo da Sociedade Ocidental. É a hora
atual. A hora certa.


Edição integral digitalizada do livro A Vigésima Quinta Hora (A 25ª Hora)
Autor:  C.Virgil Gheorghiu
Título do original: "La vingt-cinquième heure"
Tradução de Vitorino Nemésio 
Copyright 1949 by Librairie Plon
CÍRCULO DO LIVRO S. A.  - 1974
Páginas: 400 

Visualizar: Google Docs 
Download: 4Shared

2 comentários:

  1. Eu AMEI esse livro!!! Não conseguia parar...não queria parar de ler! E rezava pro trânsito estar caótico pra demorar a chegar em qualquer lugar! E torci muito muito por Moritz...

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  2. Foi o primeiro livro que li apartir daí fiquei apaixonada pela leitura.

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